" O futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais do que isso...", Bill Shankly




domingo, 30 de junho de 2013

Crônica da final dos nossos sonhos



Adjetivos, eu que tanto gosto deles, onde estão? Onde estão os adjetivos para definir o jogo de hoje? A final dos nossos sonhos, a atuação mágica, irretocável, perfeita. Sim, ela existe! No dia em que a torcida fez as pazes de vez com a Seleção, o time campeão voltou com estilo. Veja, reveja, analise a partida de hoje. O que foi isso? O que foi o primeiro tempo da Seleção? E o segundo? A Espanha foi atropelada. A. Espanha. Foi. Atropelada.
Pois bem, não há outra definição para a vitória brasileira na final das Confederações. Quando um time acerta tudo e não erra praticamente nada, é difícil para o oponente não perder. Quando esse time joga em casa, apoiado por mais de 70 mil pessoas e ganha todas as divididas, fica impossível vencê-lo. Esse time hoje foi o Brasil. Felipão mandou a campo onze jogadores com uma certeza na cabeça: ser campeão.
O Xavi podia fazer aqueles lançamentos que só ele faz pro Pedro, que o Marcelo chegaria na frente. O Iniesta poderia proteger a bola com a maior concentração da sua vida - e como ele faz isso bem! - que em alguma hora, em algum momento, o Luiz Gustavo iria roubá-la. Queridos leitores, permitam-me dizer que só um palavrão para resumir a atuação desse volante hoje: pqp, o que jogou o camisa 17? Um absurdo. Um bote mais certo que o outro, tranquilidade no primeiro passe, inteligência para aprofundar como terceiro zagueiro. Que jogo do volante do Bayern, que mostrou jamais esquecer como ganhar de espanhois.
E o Thiago Silva? Pode esse cara ser do nosso mundo? Como ele consegue antecipar uma bola que o Fernando Torres já tinha praticamente dominado? E ainda sai jogando como se tivesse caminhando no calçadão. Ameaça fazer um lançamento e...toma um drible, Mata! Passe certo. O Paulinho podia até não ser o Paulinho dos últimos anos, e errar um passe que o capitão brasileiro chegaria com um desarme certeiro. E sairia jogando bem de novo. Porque ele é um monstro e não erra.
Para melhorar, quem joga do lado dele é um jovem zagueiro que já tem tudo para ser um outro monstro. Precisa ser menos ansioso. Menos inconsequente. Se for, vai formar com Thiago Silva uma das melhores duplas de zaga da história. Porque o que joga de bola o David Luiz não é brincadeira. Que tempo de bola! Não erra um domínio. Cai na esquerda, e ele pega de primeira para armar um contra-ataque. Muita qualidade. Se não bastasse, ainda tem a velocidade que falta a muitos zagueiros técnicos como ele. Foi dele o quase-gol mais comemorado do torneio, ao salvar um quase-gol de Pedro. Quanta ironia. Logo ele, que queria tanto marcar um gol decisivo e quase jogou no ralo sua ótima participação na Copa das Confederações contra o Uruguai. Hoje, se redimiu com maestria. Jogou demais!
Quem também jogou demais foi Neymar. Como contra o Japão, o México, a Itália e o Uruguai. Não à toa foi eleito o melhor da competição. A capacidade desse menino em destruir defesas é fenomenal. Deitou e rolou sobre a melhor defesa do mundo para quase todo o mundo. Expulsou Piqué, substituiu Arbeloa e provou que a sua canhota é tão boa quanto a sua excelente perna direita. 
E que passe do Oscar! O 10 que joga com a 11 e, discreto, faz a diferença abrindo espaços, ditando o ritmo com toques rápidos ou lentos dependendo de como esteja o jogo. De repente, uma assistência. De repente, uma enfiada de bola magistral. De repente ,Oscar ganhou o jogo com dois toques na bola. Oscar come quieto, pelas beiradas. Mas devora defesas.
Fred também devora. Na maioria das vezes, com um toque só na bola. Não importa o jeito, a força, a maneira como ele toca na bola. O importante é aonde ela morre. Sempre no fundo das redes. Contra a Espanha, fez dois: um deitado, arrastando a perna e chutando por cima de um Casillas já caído, outro com estilo, tirando de um Casillas bem colocado. Fred é versátil, técnico e, principalmente, matador. Hoje provou que pode e vai ser o 9 do Brasil na Copa.
Estava quase me esquecendo Hulk. Mentira. Deixei um dos jogadores mais injustiçados com a camisa amarelinha por último de propósito. O Hulk, que muita gente por aí diz que não joga nada, que deveria estr longe da seleção brasileira, joga bola. Joga muita bola. E marca. E ajuda Daniel Alves. E fecha os espaços. Ainda tem perna para puxar contra-ataque. Hoje ele fez tudo isso e ainda criou a jogada do primeiro gol, participou do segundo e saiu aplaudido pela primeira vez. Mereceu. E merece muito ser titular. Ainda bem que Felipão entende bastante de futebol.

2 comentários:

  1. E vc nem pra comentar sobre o cavaliere, o maior da final hehehehe adogooooo

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  2. Walter Lourenço1 de julho de 2013 12:52

    Lucas, e o caso Bruno???

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