" O futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais do que isso...", Bill Shankly




terça-feira, 13 de outubro de 2009

Chance de Ouro


Talvez a seleção brasileiro Sub-20 de 2009 não tenha um Geovani como em 83, um Silas como em 85, um Gian como em 93, ou até mesmo um Daniel Carvalho como em 2003, mas tem algo que nenhuma das quatro citadas acima possuía em suas campanhas vitoriosas nos Mundiais: união.


União que se transforma em entrosamento dentro de campo e volta a ser a mesma coisa fora das quatro linhas. União que facilita o passe de Giuliano para Alan Kardec. União que aumenta o poderio ofensivo canarinho. União que fez o Brasil chegar à final do Mundial, que será disputada na próxima sexta-feira, no Cairo, contra a veloz seleção de Gana.


Mais do que se sagrar pentacampeão de um torneio fundamental das categorias de base, os moleques canarinhos podem conseguir visibilidade no exterior, e até mesmo ajudar seus clubes nas dívidas e finanças. Além de, é claro, marcarem seus nomes na história do futebol mundial.


Caso consigam se sagrar campeões, a garotada brasileira pode, enfim, fazer o povo brasileiro esquecer-se dos fiascos recentes das seleções olímpicas, principalmente jogando um bom futebol. Afinal, o ouro olímpico prometido por Lula para 2016, jamais conquistado pelo Brasil no futebol, costuma ser trocado por outras conquistas. Nada melhor do que trocar ouro por ouro. É a grande chance da garotada brasileira mostrar seu valor.

Tempo Mágico

O clima tenso após a eliminação da seleção brasileira na Copa de 2006 que pairava no ar foi seu primeiro desafio a ser superado. Logo em sua estreia, ainda em 2006, um empate feio e simples com a modesta Noruega aumentou a impaciência do povo com a seleção. Mas ele é forte. É gaúcho de Ijuí. É brasileiro. E não desiste nunca.

E foi assim, sem desistir, que Dunga venceu a Copa América, deu a volta por cima, calou os críticos e reduziu, de forma brilhante, a distância entre o povo brasileiro e a seleção, recuperando o amor e orgulho que tanto fizeram parte da história canarinha.

Entretanto, o tempo passou, e o ano de 2008 foi um pouco cruel para o treinador. Nem o menos crítico poderia esperar volta por cima melhor que a de Dunga. Após empatar com a arqui-rival Argentina no Mineirão, em meados de 2008, por 0 a 0, estava praticamente definida a sua demissão. E ela foi evidenciada e quase confirmada após fracasso nas Olimpíadas. O ponto final do pior ano de Dunga foi a derrota para o Paraguai, por 2 x 0, em Assunção, num verdadeiro massacre do time da casa.

Mas Dunga é de Ijuí, cidade conhecida pelo modo viril de se viver, pela força de seus habitantes, pela determinação. Mas como o tempo, o futebol muda, e muito. A determinação e garra que o volante viril, hoje técnico da seleção, Dunga, tinha quando jogador entrou em campo com seus comandados em 2009. A começar pela vitória sobre o Uruguai, por 4 a 0, em Montevidéo, encerrando um jejum longo de vitórias no território platino.

O último passo desse avanço em 2009, foi o que era para ser a Batalha de Rosário, que se tranformou em o " Massacre Brasileiro", cujo nome já explica o que foi o jogo. Um 3 a 1 convincente, assim como Dunga atualmente. Nem mesmo a derrota para a fraca Bolívia pode mudar isso. O tempo foi mágico com Dunga.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Que Flamengo é este?

Os mais de 82 mil presentes no Maracanã no jogo do último, em que o Flamengo venceu o Fluminense por 2 a 0, com gols de Adriano, viram um início de jogo aberto, com os dois times receiosos em se lançarem ao ataque e, acima de tudo, equilibrado. Porém, com o decorrer da partida, os erros e acertos, principalmente os detalhes, que sempre decidiram clássicos, decidiram mais uma vez. Desta vez, a favor do Flamengo.

Os erros tricolores começaram com o inoperante Ruy marcando mal, e o volante que serviria para cubri-lo e auxiliá-lo na marcação pela direita, Fabinho, estava numa péssima noite, falhando feio nos dois gols do Imperador. Para piorar o lado tricolor, seus atacantes pouco conseguiram produzir e, se não fosse o goleiro Rafael, a vitória rubro-negra se transformaria em goleada.

O pesadelo de Cuca aumentou quando o comandante tricolor deparou-se com um Flamengo organizado taticamente, graças à orientação que o sempre calmo e experiente Maldonado dava a Airton. Graças a um esforçado Zé Roberto que corria por Denis Marques, único a distoar, e se movimentava como poucos. Graças a um David tranquilo, mais calmo, que fazia menos falta que o normal.

A torcida rubro-negra, que encheu e fez a parte dela, ainda viu um Éverton solto no apoio, com liberdade e, principalmente após os gols, com tranquilidade. Viu Andrade tirar o distoado Denis Marques e apostar na vontade de Willians, que rendeu-lhes um gol, porém anulado. Mas, mais do que isso, Willians entrou com a disposição esperada, marcou com tanta vontade que recebeu mais um amarelo e não se limitou à marcação, usando o corredor direito como uma boa arma ofensiva, ao lado de Léo moura, que fez uma partida discreta, mas eficiente.

Entretanto, o velho e bom Petkovic não estava presente. Cansado pela marcação feita em Diguinho e prejudicado pelo campo pesado, Pet não rendeu tão bem como Adriano, cujo a noite foi mais uma de suas : cheia de gols. Mas como Pet é ídolo e títulos não se esquecem, o sérvio saiu aplaudido pela massa e teve seu nome gritado nas arquibancadas. Afinal, ele tem crédito, pois quem foi rei, nunca perde a majestade.

Que Flamengo é este?

sábado, 3 de outubro de 2009

O perigo de um grupo fechado

Não falta tanto tempo assim para a Copa do Mundo de 2010, na África, e pelo que se pode observar Dunga tem seu grupo quase deifinido. Suas grandes dúvidas são em relação aos reservas, uma vez que as onze vagas titulares já estão definidas. Até a sempre contestada lateral-esquerda ganhou um novo ar, de qualidade, de tranquilidade, com o eficiente André Santos.

Do goleiro intocável ao centroavante descoberto por ele, Dunga conseguiu montar um time com a sua cara, o seu jeito. A pegada dos volantes, a marcação eficiente dos laterais e os contra-ataques mortais puxados pelo trio Kaká-Robinho-Luís Fabiano enalteceram seu trabalho e levantaram sua moral.

Infelizmente, o grande problema de sua equipe são as lesões. Elas chegam de repente e modificam o padrão do time, caindo de produção. A grande preocupação do Gaúcho de Ijuí é na recorrência das mesmas, acarretando consequências pesadas para o mundial do ano que vem. Entre as principais, as que afetam o zagueiro titular Juan são as mais alarmantes.

Peça principal da equipe, o carioca que joga no Roma é obrigado a manter a calma que o consagrou dentro de campo no seu tratamento. Seus músculos, principalmente os da coxa, parecem ter envelhecido precocemente, ao inverso de seu futebol. Problema parecido atinge seu companheiro Lúcio, porém este em menor escala, mas sem perder a manutenção da preocupação. Afinal, a dupla de zaga tem sido um dos - senão o -pontos mais fortes da equipe de Dunga.

A sorte do técnicoo brasileiro é o fato dos reservas não estarem comprometendo. Exemplo disso foi a última atuação de Luisão, contra a Argentina, na qual foi eleito um dos melhores da partida por toda a imprensa esportiva.

Mas Dunga sabe que não pode contar com a sorte no Mundial da Áfricaha. Em seu planejamento, a disciplina a substitui. E, para não correr riscos, não é tão bom que seu grupo seja restrito. Justamente pelo fato de ocorrerem lesões. É preciso que Dunga busque nomes para segundas opções. Tudo para não correr riscos. Riscos que quase o fizeram perder o cargo que tem atualmente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sonho Real

Os gastos milhonários para as contratações dos novos 'Galáticos' ( Kaká, C.Ronaldo, Xabi Alonso e Benzema) começaram a ter seus frutos colhidos. Após a vitória desta quarta, pela 2ªrodada da Champions League, sobre o Olympique Marseille, no Santiago Bernabéu por 3 x 0, mais do que os importantes e necessários três pontos conseguidos em casa, pôde-se perceber o entrosamento e a união do grupo, além de, é claro, a maestria.

Os dois gols de Cristiano Ronaldo e o pênalti sofrido pelo portguês e convertido por Kaká foram marcados em um pequeno intervalo de tempo, diferentemente da imposição tática do time merengue, que durou bastante tempo, praticamente o jogo inteiro. E, com 7 vitórias em 7 jogos, já é possível afirmar que as novas estrelas começaram o ano justificando o preço gasto em suas aquisições.

Principalmente Cristiano Ronaldo e Kaká, que foram alvos de duras críticas e muita desconfiança da imprensa esportiva mundial. Sob argumentos de vaidade do português, o que levaria a um fracasso da possível dupla, Kaká até tentou responder às provocações nas entrevistas, porém optou por responder de outra forma, por uma pela qual já está familiarizado - e como ! - : dentro de campo.

Então veio o primeiro jogo. Vitória fácil. O mesmo que aconteceria no segundo, e no terceiro, e assim por diante, até chegar na estreia da Champions, contra o desconhecido e modesto Zurich FC. Sem pena e com destreza, o placar de 5 a 2 foi curto diante do panorama do jogo. Nem mesmo as falhas do fraquíssimo goleiro Leoni foram aceitáveis como desculpa dos suíços e dos "anti-galáticos".

A vitória curta por um a zero sobre o La Coruña despertou por mais uma vez os críticos de plantão, mas a rodada seguinte da competição mais importante estava por vir, numa partida no palco da final da competição, no Santiago Bernabéu, com o apoio de toda a torcida merengue. Com 2 arrancadas sensacionais e uma partida praticamente impecável, Cristiano Ronaldo definiu o jogo. O terceiro gol, o segundo do português na partida, serviu como uma espécie de bônus ao Marseille. Serviu para mostrar que a magia do futebol ainda está viva.

E como em time campeão a sorte tem de estar presente, não pode-se esquecer do palco da final da Uefa Champions League, o estádio dos Galáticos, o estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu. Sorte? Os merengues têm mais afeição pela palavra coincidência. Sorte para eles, está ligada à competência, ao trabalho, à eficiência. O sonho é real: montar um time galático, porém eficiente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nunca é tarde para sonhar


Somente jogando com muita raça, e vencendo, que o alívio chegaria finalmente às Laranjeiras. E foi isso que aconteceu com o Fluminense, na partida de ontem, contra o Avaí, no Maracanã, vencida pelo time da casa por 3 a 2. Porém, para dar um caráter permanente a este fim de sufoco prematuro e temporário é preciso que o time mantenha a pegada, continue com a raça demonstrada no triunfo contra o time catarinense.


A união das organizadas, amontoadas e unidas na arquibancada amarela, tentava confundir a atual situação caótica do Flu com o otimismo da torcida. As faixas estendidas antes do jogo com cobranças a dirigentes e jogadores, principalmente os que recebem altos salários, e que classificavam Conca como a única exceção, deram lugar a gritos e cantos de incentivos, fundamentais na vitória tricolor.


Assim como o goleiro Rafael, o qual defesas foram mais uma vez um dos raros pontos fortes da atuação tricolor no campeonato e no jogo. Assim como o jovem Alan, que além da disposição e técnica, tinha em seu repertório o amor e respeito ao clube onde foi criado e o qual jamais deixará de amar e respeitar. Assim como o argentino e craque do time Conca, que nunca se escondeu das cobranças, e na hora de resolver sempre resolve. E com garra. Craque.


Contudo, nem tudo são rosas no time tricolor. Em mais uma das milhares ruins atuações da zaga - sem incluir as péssimas -, Luiz Alberto e Gum ficaram boa parte do jogo perdidos. Assim como Paulo César, que falhou feio no primeiro gol avaiano, e nada fezs de benéfico ao time. A exceção aí foi Ruy, que apoiou bem e marcou sem comprometer.


Os vinte mil pagantes da partida de ontem jamais deixaram de acreditar, jamais deixaram de rezar, sonhar. Os outros milhões de tricolores espalhados pelo Brasil viveram situação semelhante as de Maicon e Dalton - ambos disputam o Mundial Sub-20, no Egito -, que tiveram na TV seu maior aliado ao sofrimento. A realidade dói para os tricolores cariocas, mesmo nunca sendo tarde para sonhar.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Entrevista com João Faria, do Portal Uai, sobre o América-MG

O Diário Esportivo Golaço entrevistou com exclusividade João Renato Faria, do Portal Uai, responsável pela cobertura do título da Série C conquistado pelo América-MG.

Ele falou sobre o time em campo, a conquista da Série C , a estrutura, o planejamento e até mesmo sobre o futuro da equipe.

Confira!




DEG - O planejamento da diretoria do clube foi fundamental na conquista da Série C?

João Faria - Sem dúvidas. O América, quando chegou ao fundo do poço, a segunda divisão do Campeonato Mineiro, estava atolado em uma desorganização completa, um verdadeiro caos administrativo. A eleição não de um, mas de sete presidentes, para gerir o clube, marca a virada. Composto por americanos notáveis, esse grupo de presidentes se uniu em prol do América, traçando o objetivo de levar o clube de volta para a Série B do Brasileiro.


Esta conquista conseguiu reconquistar o prazer da torcida em torcer pelo Coelho?

Não só a conquista, mas a campanha brilhante que o clube fez na série C. O que se viu nas ruas de Belo Horizonte durante a competição foi um resgate do orgulho de ser americano. Os torcedores voltaram a usar camisas, voltaram a encher o Independência, e mostraram que mesmo espremidos entre duas torcidas gigantescas de Belo Horizonte, sabem fazer barulho.


Qual a principal característica da equipe dentro de campo?

Ao longo de toda a Série C, foi um time que tinha um objetivo traçado e jogava dentro de campo em busca deste objetivo, o acesso à série C. Foi um time focado, consciente de suas limitações e capacidades.


Como a experiência de jogadores como Euller, Evanílson e Wellington Paulo ajuda o elenco? E dentro de campo, até mesmo pelas suas idades - um tanto avançadas -, a equipe tem de correr por eles? Eles agüentarão o ritmo durante a próxima temporada?

São jogadores acostumados à conquistas, que já rodaram muito. A experiência deles "deu liga" com a juventude do resto do elenco. Os mais novos não tiveram que correr pelos veteranos, até pela melhor noção de posicionamento que os segundos já tem. Alguns sofreram com contusões, com destaque para o Euller, na reta final do campeonato. Mas como futebol não é só dentro das quatro linhas, a participação deles foi importantíssima para a conquista.


Uma das preocupações das equipes que sobem a Série B é se manter na mesma, salvo raras exceções. É esta a preocupação do Coelho, ou dá para esperar algo maior?


Acho que por ter sido campeão da Série C, o América chega com moral na Segundona, ao contrário dos times que serão rebaixados da A, que chegam desmoralizados. Isso pode dar um gás para o Coelho na competição, e por isso não acredito que se manter na Série B vai chegar a ser um problema, mas também não acho que o América vai conseguir brigar por uma vaga na Série A, principalmente se times como o Fluminense e o Botafogo realmente caírem.


Quanto às saídas de Bruno Mineiro e Irênio - ambos acertaram com o Náutico. Isso prejudicará muito o time?


Toda saída é negativa. Irênio regeu o meio campo do América, e Bruno Mineiro foi decisivo em vários jogos, inclusive a final. Um reconhecido celeiro de craques, o América vai precisar repor estas posições com qualidade.


Com que posições a diretoria do clube tem de se preocupar em novos reforços?


Todas, principalmente se todas as saídas especuladas realmente se concretizarem. Claro que com a manutenção da base campeã da Série C, não serão necessários tantos jogadores, mas defesa, meio-campo e ataque precisa de mais nomes.


O campeonato mineiro do ano que vem terá grande importância para o America-MG. Por quê?


Porque é uma grande chance do América conquistar mais um título. Se tudo terminar como está, o Atlético vai estar com todas as atenções focadas na Libertadores, e vai usar o Mineiro como laboratório para a competição continental, enquanto o Cruzeiro vai voltar tudo para conquistar a Copa do Brasil e dar uma resposta para a torcida, que ainda não engoliu a perda da Libertadores e está engasgada com a situação do time no campeonato.


Quais serão as principais dificuldades para o Coelho na segundona?

As mesmas de Atlético e Cruzeiro na série A: a falta de um local definido para jogar as partidas em casa, já que tanto o Mineirão quanto o Independência devem entrar em reformas para a Copa do Mundo de 2014. Longe do seu estádio, onde a pressão sobre o time adversário é muito forte, é difícil prever qual será o comportamento do Coelho em campo.

Giro pelo mundo

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