" O futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais do que isso...", Bill Shankly




quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A importância de Fred nas retas finais




Rafael Moura costuma ser decisivo em jogos importantes. Foi assim com o Goiás na Sul-Americana, no ano passado, quando, inclusive, foi o artilheiro do torneio, e com o Fluminense na Libertadores deste ano. Rafael Sóbis também tem seu faro aprimorado em decisões. Que o diga Rogério Ceni. Foi dele o gol que consagrou o Internacional como campeão da América, em 2006. Mas nenhum dos três se compara a Fred.

O camisa 9 tricolor tem um poder de decisão impressionante. Pode passar o ano todo convivendo com lesões, noitadas, polêmicas, mas na reta final...ele resolve. Foi assim em 2009, na incrível campanha de fuga do rebaixamento do Fluminense de Cuca. Quando mais se precisou de Fred, ele apareceu com gols importantíssimos. Em 2010, no título brasileiro, Fred foi tão importante quanto Emerson Sheik, autor do gol derradeiro, na "final" contra o Guarani. Neste ano, o roteiro se repetiu. E lá foi Fred decidir.

A diferença é que, ao contrário dos anos anteriores, Fred não fez um ou dois gols diferenciais para o Fluminense. Fez quatro. Quatro gols fundamentais para a vitória por 5 a 4, de virada, sobre o Grêmio, no Engenhão, acontecer. Mais do que a disposição de Rafael Sóbis e os passes precisos de Deco, os gols de Fred fazem muita diferença. Como ontem. Com quatro tentos, o artilheiro tricolor recolocou o time na briga pelo título nacional.

Ainda assim, a dura missão de Fred ainda não acabou. Pela frente, mais três decisões. Dois clássicos. Duas oportunidades perfeitas para um atacante decisivo, um autêntico craque, aparecer e decidir. Sorte da torcida tricolor. Ele estará lá, aumentando, muito provavelmente, sua lista de 17 gols.

domingo, 13 de novembro de 2011

Os motivos que não permitem ao Flamengo brigar pelo título

Em um campeonato tão tresloucado como o Brasileiro, soa como incoerente afirmar, a cinco rodadas do final da competição que um time que está em sexto lugar, a seis pontos do líder, não brigará mais pelo título. Mas pela partida que fez hoje, em Curitiba, contra o Coritiba, tira todo o ânimo do Flamengo. Não somente pelo péssimo resultado em uma partida que poderia o colocar como terceiro colocado - o 2 a 0 afasta ainda mais o time das primeiras colocações -, mas pela forma como a derrota se desenrolou: em 90 minutos, o time de Luxemburgo provou como não fazer para vencer jogos e brigar por títulos.

As falhas individuais na defesa voltaram a aparecer. E o pesadelo da bola parada continua vivo na mente dos torcedores rubro-negros. Assim como fez o Cruzeiro, há exata uma semana, no Engenhão, o Coritiba abriu o placar em um escanteio. A jogada foi totalmente idêntica à que terminou em gol de Anselmo Ramón, no fim de semana anterior. Desta vez, coube a Leonardo empurrar para as redes, dentro da área, sem chances para Felipe, que não teve culpa nos dois gols.

O segundo gol teve um nível de facilidade ainda maior para os donos da casa. Maranhão aproveitou o erro de Ronaldinho no domínio de um lançamento de Felipe, roubou a bola no meio de campo, e, sem ser incomodado por nenhum marcador, invadiu o campo de defesa rubro-negra e, da entrada da área, chutou. A bola ainda desviou antes de encobrir o camisa 1 rubro-negro.

Como vem sendo desde o início do campeonato, uma eventual desvantagem no placar desanima extremamente o time rubro-negro, que parece não ter f0rças para reagir. Toque de bola pra cá, toque pra lá, e nada. A burocracia do meio de campo parece inexpurgável. Thiago Neves é um dos poucos que merece ressalvas. Em meio ao marasmo de jogadores do nível de Ronaldinho, Renato Abreu, dentre outros, destaca-se a entrega de um meia habilidoso e disposto a transformar suór em sangue.

Mas um só Thiago Neves não basta para o Flamengo. Bastaria, sim, se o time tivesse um atacante capaz de prender a bola na frente, fazer o pivô, abrir espaços e finalizar com precisão. Não são os casos de Deivid e, sobretudo, o atrapalhado e inexplicável Jael. É o castigo para quem preferiu não apostar em Adriano, Vágner Love e abrir os cofres por Kléber.

Os problemas rubro-negros são tantos que ultrapassam as quatro linhas e chegam à área técnica. Como pode um técnico, antes do final da primeira etapa, perdendo por 2 a 0, tirar um meia-atacante e colocar um volante? Luxemburgo tenta, mas não pode justificar. Errou na substituição. Mexeu mal e recuou o time num momento inoportuno. Verdade é que as opções que lhe são dadas não ajudam. Mas é preciso tirar leite de pedra num momento decisivo como o atual para ser campeão brasileiro.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entre o risco e a consagração: Vasco nas semis da Sul-Americana

Foto: Ag.Estado


Desde a metade do ano, o Vasco já tem participação garantida na Libertadores 2012, principal prêmio oferecido pela Copa Sul-Americana. No Brasileirão, torneio mais importante do país, última vez conquistado pelo clube em 2000, é segundo lugar. Mesmo assim, o Vasco quer ganhar tudo que pode. Até o final da temporada, terá, em menos de um mês, no mínimo, 7 jogos para disputar entre o torneio nacional e o continental. Riscos a serem corridos em busca da consagração em âmbito continental.

Em noite mítica de Dedé, a virada sobre o Universitario, do Peru, por 5 a 2, prova a importância em se escalar time titular nas duas competições. E, obviamente, os riscos possíveis. A bela partida que Juninho fez poderia ter acabado ainda no primeiro tempo, quando recebeu forte pancada na panturrilha esquerda, a mesma que lhe tirou de alguns jogos do time neste ano. Mas a sorte estava ao lado do time da casa, na noite desta quarta-feira. A cada lance, a cada cruzamento errado transformado em gol, a cada frango inexplicável do experiente goleiro Johnny Top.

Em uma eventual eliminação, com um hipotético vexame em casa, como fez o Flamengo, há quase um mês, poderia, inclusive, mexer com o brio e o psicológico dos jogadores, prejudicando o ambiente do time no Brasileiro. Era um risco que Cristóvão Borges resolveu correr hoje. Com a goleada e a classificação inédita para o clube às semifinais, obteve a glória. Amanhã, os jornais estamparão elogios efusivos à escola do treinador em querer ganhar tudo. Foi preciso apostar alto para gozar de um prêmio como esse.

O próximo adversário vascaíno é quem joga, hoje, o melhor futebol da competição: o Universidad do Chile, que eliminou o Flamengo, com direito a baile no Engenhão e olé em Santiago. Time organizado, rápido e que joga bem tanto dentro como fora de casa. Infinitamente superior ao Aurora e muito acima, também, do Universitario do Peru, os últimos adversários cruz-maltinos.

Para não correr riscos de se ver em desvantagem logo no primeiro confronto, visando a força da “La U”, o mais coerente seria Cristóvão Borges escalar o time titular novamente. Até porque não haveria justificativas para retornar à opção pelos reservas. Ele escolheu, hoje, correr os riscos prévios impostos pela escalação dos titulares nas duas competições. E é provável que acerte no final das contas.

O exemplo mais recente que pode ilustrar a situação é o Fluminense de Cuca, em 2009. Brigando para não cair, o técnico tricolor não se intimidou com a pressão de dirigentes e dos críticos, e escalou o time titular tanto na Sul-Americana daquele ano como no Brasileiro. O final foi quase perfeito. O Fluminense foi derrotado somente na final da competição continental e escapou do rebaixamento na nacional. Cuca correu riscos, mas, ao mesmo tempo, uniu o time, motivou os jogadores e deu ritmo a todo o elenco. Uma vitória motivava a outra, independente da competição.

No contexto incerto do futebol, é difícil prever o certo e o errado. Mas o que a história do esporte prova é que apostar e correr riscos é sempre um passo importante para fazer história. Na melhor das hipóteses, Cristóvão Borges poria para sempre o seu nome na história. Na pior delas, cairia no esquecimento da torcida, que voltará a ter Ricardo Gomes na Libertadores 2012. A coragem, nesse caso, é arriscada. E pode ser brilhante no final. O tempo dirá.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O título que renova a Portuguesa

Foto: Eduardo Viana


“Eu nunca tinha visto o Canindé desse jeito”. A frase é forte e de quem vive Portuguesa há quase 3 anos. Marco Antônio, de fato, nunca tinha sido campeão com a camisa do clube que melhor defendeu. Teve que esperar bastante para levantar o primeiro troféu pela Lusa. Justamente o da Série B, com direito a golaço decisivo na partida derradeira, contra o Sport, num Canindé abarrotado de torcedores, nesta terça-feira. Um título que, além de garantir um lugar na elite, renova o ambiente da Portuguesa.

Marco Antônio tem razão em dizer que nunca tinha visto o Canindé cheio do jeito que estava e com as faixas reviradas e imponentes. Ele e todo mundo. Para uma torcida desacreditada por sofrimentos recentes, como quedas regionais e nacionais, era difícil crer em dias melhores e diferentes. Jorginho sabia que, somente com o tempo, conseguiria o apoio dos torcedores. E, aos poucos, foi conseguindo, da maneira mais fácil: provando que se tratava de um projeto sério, planejado e a longo prazo. Mais do que incentivos, conquistou a admiração e o respeito da maioria, montando um time não só competitivo, mas também encantador, carinhosamente apelidado pela imprensa de “Barcelusa”.

Para a Série B, Jorginho não precisava de um goleiro como Valdés. Mas achou um talento escondido no Acre, valente como Valdés, técnico como poucos na história do clube. Weverton é um dos grandes nomes desse título. Assim como a revelação do campeonato, Henrique, uma espécie de Iniesta paulista: 19 anos, ótimo passe, marcação eficiente, visão de jogo excepcional. Atributos que fizeram Jorginho dar a seguinte declaração a um programa de grande audiência na TV fechada, em rede nacional: "Não me surpreenderei se Henrique estiver entre os 11 da Seleção na Copa do Mundo de 2014". Prognósticos à parte, Henrique é um baita volante. Assim como Marco Antônio, o Xavi da torcida.

O bom-humor do povo permitiu comparações mais profundas. O estilo de jogo agressivo, as variações táticas, como o recuo do centroavante como um falso-nove, função que Messi desem-penha com uma eficácia impressionante, imitada pelo excelente Edno, ídolo no Canindé, e o futebol envolvente são dignos de um Barcelona brasileiro.

O que mais impressiona nesse time é a vontade de vencer jogando bem. O que leva a crer, por vezes, que é melhor perder jogando bem do que vencer jogando mal. Filosofia essa que o técnico Jorginho já se disse adepto. Ele faz questão de fazer o time jogar bem sempre, para não correr o risco de ser preferível perder. Por isso, quis ser campeão já com três rodadas de antecedência, com 12 pontos de vantagem para o vice-líder. Para ele , seus jogadores e a Portuguesa, vencer jogando bem é uma prioridade única. Num dia em que o time se deixou levar pelo oba-oba por 45 minutos e dominar pelo Sport, sem jogar bem, o empate foi mais coerente que uma eventual vitória. E suficiente para garantir o caneco.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Flamengo do segundo tempo deste domingo briga pelo título

Foto: Thiago Neves comemora um de seus três gols. O meia foi muito bem na goleada deste dom ingo, sobre o Cruzeiro( André Portugal/ VIPCOMM)


O "se" não ganha e nem perde campeonatos. Mas se Flamengo e Cruzeiro jogassem os cinco jogos que lhes restam no Campeonato Brasileiro dificilmente não se dividiriam entre o título e o rebaixamento. Rápido, envolvente e disposto a vencer, o Flamengo foi nos quarenta e cinco minutos finais da goleada por 5 a 1 sobre o time mineiro neste domingo, num Engenhão repleto de rubro-negros, exatamente o contrário do que havia sido na primeira etapa. No primeiro tempo, foi o time de Vagner Mancini quem dominou as ações da partida. E sem força. Depois de marcar com Ernesto Farías e ter um pênalti desperdiçado por Victorino, o Cruzeiro viu a sorte e a competência mudando de lado já no fim da primeira etapa, quando Deivid empatou em lindo chute de fora da área.

O que estava por vir era, ainda, muito pior. Nem é tão difícil explicar a sonolência e a apatia do time mineiro na segunda metade do jogo. Nas últimas partidas, quase sempre o time se comporta dessa forma. Montillo é um dos poucos que se salvam das vaias. Em todo o segundo turno, apenas uma vitória. A cada rodada, é muito candidato ao rebaixamento. Difícil, mesmo, é explicar a injeção de ânimos dada por Vanderlei Luxemburgo no intervalo. A intensidade dos donos da casa no segundo tempo foi algo extremamente surpreendente para os mais de 39 mil presentes.

A lentidão na saída pro jogo e a falta de segurança na zaga nem de longe puderam ser vistas do intervalo até o apito final de Leandro Vuaden. Airton trocou os passes errados por botes certeiros e toques de primeira na transição defesa-ataque. Alex Silva, por sua vez, passou a acertar os desarmes e, principalmente, as antecipações. E Welinton, com a seriedade de sempre, pôde usufruir de mais tranquilidade para acertar, uma raridade em meio a seu repertório de erros e azar. Após péssimos 45 minutos, o sistema defensivo rubro-negro voltou com outro espírito do vestiário.

Assim como o ataque. Thomás, Ronaldinho, Thiago Neves e Deivid mostraram uma sede absurda pela virada. Os quatro homens de frente de Luxa foram importantíssimos na construção da goleada. Sobretudo Thiago e Deivid. Bem posicionados, tiveram frieza e precisão absurdas nos 5 gols rubro-negros. Os dois últimos abrilhantados por passes sensacionais do jovem Muralha, outra revelação rubro-negra, que, ao contrário do domingo passado, quando entrou desligado e viu seu time tomar a virada do Grêmio, em Porto Alegre, entrou muito bem no Engenhão, sendo aplaudido de pé pela massa. Em todos os gols, procurou seu amigo Thomás para abraçar. A simbologia da renovação de talento. Como um aviso prévio da geração que está por vir, muito promissora por sinal. Dos onze em campo, os dois são um dos poucos que mereceram nota alta pelas atuações.

Sem inventar, Luxemburgo consertou com a entrada de Muralha a falta de velocidade entre a defesa e o ataque, o grande defeito da equipe na primeira etapa. E, mesmo sem Ronaldinho inspirado - o Gaúcho não foi bem durante todos os 90 minutos, demonstrando pouca mobilização e muitos erros de passes e dribles -, viu seu time deslanchar nos 45 minutos finais. Com Renato Abreu de volta ao time no próximo domingo, vai jogar outra decisão rumo ao inesperado heptacampeonato: Coritiba, no caldeirão do Couto Pereira.

Se for ousado, intenso e preciso como foi no segundo tempo deste domingo, o Flamengo tem grandes chances de sair da capital paranaense vencedor. E ainda mais vivo na briga pelo título. A contar com tropeços rivais, se deixar chegar... A máxima rubro-negra costuma prever os finais de campeonato mais eletrizantes. O time de um tempo só pode ser mais competitivo e ter a cara de campeão que ainda não teve. Ainda há cinco rodadas para Luxemburgo trabalhar. A inspiração, certamente, vem deste domingo. E dura 45 minutos.

Cristiano Ronaldo: um ídolo polêmico, um craque pouco reconhecido


Os números e as atuações falam por si só. Mas a marra e o orgulho embarreiram o caminho rumo à unanimidade. Com fama negativa fora dos campos, não é considerado bom moço nem mesmo dentro deles. Na disputa pelo prêmio de melhor jogador do mundo, carrega nas costas o ônus de quem nunca teve na modéstia o seu forte. Mas ao mesmo tempo, mostra que, com a bola nos pés, continua o craque que sempre foi. Hoje, na hora do almoço, fez mais três gols pelo Real Madrid na goleada de 7 a 1 sobre o Osasuna. Com 102 gols, ultrapassou Ronaldo Fênomeno na história do clube merengue. De recorde em recorde, vai provando ser muito maior do que todos o consideram ser.

Cristiano Ronaldo é um ídolo difícil de ser idolatrado por adversários. Faz parte de um rol de jogadores históricos, míticos, mas pouco respeitados por adversários. Abusado, marrento e, por vezes, desrespeitoso, não consegue muitas vezes, por causa dessa fama, receber o reconhecimento necessário por sua carreira como jogador – brilhante, por sinal. Falando menos, polemizando menos e marcando mais gols do que nunca, parece estar no caminho certo. Ainda sem a modéstia e a tranquilidade de jogadores mais tímidos. Como Messi. Mas com muitos gols.

Errado, de fato, é quem não considera, hoje, Cristiano Ronaldo, pelo menos, entre os três jogadores do mundo. Incoerência total para quem marcou 53 gols na temporada passada e já chegou ao de número 13 na atual época. Se não bastasse, o português também é notório nas assistências. A cada jogo, uma nova magia. E mais gols. Hoje foram três. Com direito a entrega do prêmio Bota de Ouro, mais um para sua inesgotável coleção.

Pelo futebol que jogam, no momento, seus concorrentes, sobretudo Messi e Xavi, Cristiano não é favorito ao prêmio Bola de Ouro, concedido em conjunto pela revista francesa France Football e a Fifa, numa tentativa de eleger justamente o melhor jogador do planeta a cada ano. Por outro lado, de forma algum o gajo pode ser considerado azarão. Numa breve comparação com Messi, tem rendimento parecidíssimo. E, como o argentino para o Barcelona, é o jogador mais importante para o time de José Mourinho atualmente. E um dos mais decisivos da Europa.

Em números mais abrangentes, leva inclusive a melhor sobre o atual melhor jogador do mundo: desde 2003 com a camisa do Barcelona pelos profissionais, Lionel Messi marcou 200 gols; em menos de três temporadas, Cristiano Ronaldo chegou a 100. Se a corrente se manter, o português ultrapassará o argentino nos próximos anos.

A discussão merece ser levada aos aspectos técnicos e táticos. Numa visão geral, é possível afirmar que Messi é mais completo, mas isso não significa dizer que o argentino é melhor. Nem mais jogador. Com estilos e posições diferentes, ambos receberiam de forma justa o prêmio de melhor do mundo. Teoricamente. Na prática, Messi é o brilhante, o herói da história e Cristiano, o vilão. Graças a seus comportamentos dentro e fora de campo. Mas é preciso haver imparcialidade, sobretudo dos críticos. No quesito mais importante, que é o futebol, Messi está no mesmo patamar que Cristiano, com pequenas diferenças.

Historicamente, inclusive, ambos se colocam no mesmo patamar, pois falta aos dois um título de expressão – leia-se Copa do Mundo. Falta essa consagração. Ídolos incondicionais de suas torcidas e de seus países, já ganharam quase tudo na carreira. Com exceção do título mundial. Na Espanha, onde jogam atualmente, são estrelas em meio ao país que abriga os atuais campeões do mundo. E, de um modo geral, donos de um campeonato. Afinal, a cada rodada, a cada jogo, só se fala nos gols, nas assistências, nos números que os separam. O futebol de um, porém, está sempre colado no de outro.

Ultrapassar Messi na matemática das estatísticas significaria muito para Cristiano Ronaldo. Ainda assim, para enfim ser unanimidade, o melhor do mundo, sem preconceitos e com total reconhecimento, faltam conquistas. Conquistas na maioria coletivas. Principalmente uma Copa do Mundo por Portugal. Aí, sim, mesmo sendo marrento, ousado, marqueteiro, metido e polêmico, Cristiano Ronaldo será, de fato, o melhor do mundo. Sem barreiras e fronteiras. Por enquanto, é só um dos melhores. E ainda sofre muito por ser como é.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Galo tem time e tabela para fugir do rebaixamento. Mas precisa corrigir erros defensivos

Neto Berola comemora o seu gol na vitória sobre o Palmeiras junto com André e Bernard(Foto: Bruno Cantini)


O Atlético Mineiro parece ter achado a sua fórmula ideal para fugir do rebaixamento. Mas ainda há alguns ajustes a serem feitos. Um time que domina o jogo por mais de 60 minutos, não pode relaxar e se ver dominado por um adversário com dois jogadores a menos. Não pode sofrer um gol desse time, ainda mais se tratar-se de um time em crise. Muito menos sofrer pressão desse time. Pois bem, foi dessa forma que o Atlético venceu o Palmeiras, por 2 a 1, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e voltou a respirar aliviado na luta contra o rebaixamento

Os erros são quase todos no sistema defensivo. Antes em ótima forma e com excelentes valores de mercado, hoje Réver e Leonardo Silva, sobretudo o segundo, não fazem bom campeonato. Muito insegura, a zaga atleticana vem falhando muito. Assim como seus laterais. Contra um Palmeiras em frangalhos, por pouco não cedeu o empate. Cuca terá trabalho para desfazer os defeitos da defesa alvinegra, mas tudo indica que conseguirá.

Se na prática ainda tem erro para ser consertado, na teoria as perspectivas são as melhores. Com exceção da última rodada, quando enfrenta o Cruzeiro, com o mando de campo da Raposa, num clássico que tem tudo para ser histórico, o Galo não tem confrontos diretos até o final do campeonato. Situação completamente oposta vivem seus concorrentes na briga contra a degola. O Avaí, por exemplo, não só enfrenta o Ceará, como também o Cruzeiro.

No papel, é fato que o Atlético tem time e elenco de sobra para permanecer na Série A. Evidenciados, inclusive, pela boa forma de jogadores criticados como Daniel Carvalho e Neto Berola. E jovens de muito potencial futuro, como Renan Ribeiro, Filippe Souto e o ótimo Bernard, candidato ao prêmio de Revelação do Brasileirão.

Mas para se livrar da ameaça da Série B é preciso muito futebol. E, obviamente, resultado. Principalmente nas partidas dentro de casa. Cuca, aos poucos, tem conseguido fazer esse time jogar bola. Ao menos uma base o treinador já encontrou. No 4-2-3-1, com Pierre e Filippe Souto na cabeça de área, Triguinho na lateral-esquerda alternando como terceiro zagueiro, Bernard, Daniel Carvalho e Neto Berola armando as principais jogadas e etc. Falta, de fato, um bom lateral-direito e um atacante capaz de definir as jogadas.

Com Serginho voltando aos bons tempos, com um vigor físico invejável, e Magno Alves totalmente recuperado de lesão, é possível que os problemas técnicos acabem. É quando entra em cena o lado psicológico da conquista. Acima de tudo na luta contra a degola, o foco deve ser ainda maior. Bastante criticado nesse aspecto, Cuca tem uma verdadeira prova de fogo. De novo. Há dois anos, ele soube se livrar numa situação ainda mais adversa com o Fluminense. A torcida atleticana espera que o raio caia duas vezes no mesmo lugar.

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